
Quando comecei a sair mais com o nosso grupo para praias mais isoladas, reparei numa coisa engraçada. Nós próprios dávamos muito mais valor ao conforto do que ao luxo. A minha mentalidade mudou muito. Deixei de procurar peças super elaboradas e comecei a pensar no peso, no tecido e na facilidade de transporte. No fundo, fiquei mais leve e voltei a gostar de aproveitar cada tarde à beira-mar.
Gosto daquele momento em que o céu ainda tem tons suaves e o areal está quase deserto. A minha mochila é leve, os meus passos são leves e sinto-me entrar num mood mais zen. Eu sinto o vento no rosto e lembro-me das primeiras vezes que fomos juntos viajar. Levávamos tanto peso desnecessário. A nossa ansiedade gerava excesso de bagagem. Hoje somos nós que escolhemos o que levar.
Aliás, acho que muita gente do nosso círculo já percebe isto. Nós queremos ser práticos sem prescindirmos do conforto. A minha experiência mostra que o segredo não está em apanhar algo a preço de saldo. Eu já agarrei em modelos caros que chegaram a despontar e namoraram comigo mas que me deixaram desapontado num ápice. O meu amigo Renato às vezes goza comigo por causa disso. Nós passamos horas a falar de resistência ao vento e de costura reforçada como se fosse uma coisa sagrada.
Mais curioso ainda é quando o calor aperta praí à hora do almoço. Eu vejo famílias inteiras abraçadas num bocadinho de sombra enquanto nós relaxamos felizes. A minha prioridade é sempre ter espaço útil. Gosto de abrir um espaço confortável para alojar as bebidas, as malas e as toalhas sem criar um caos. O nosso grupo está ali a conversar, a comer fruta gelada e a passar ali horas numa boa.
Outra coisa que considero importante é o tecido. Não gosto daquele tecido embolorado que certos tecidos dão. A minha pele fica logo irritada quando o calor está preso no ar. Prefiro tecidos leves, que dão boa circulação e secam rapidamente. O nosso grupo fala bastante disso depois das viagens maiores. E passesmos muitas horas debaixo do sol e qualquer coisa faz a diferença.
Adoro ver como pequenas mudanças de hábitos fazem toda a diferença. A minha mãe, por exemplo, leva sempre umas presilhas extra e um pano seco para limpar a areia molhada. Nós ríamos disso antigamente. Eu faço exactamente a mesma coisa. Tenho sempre no bolso pequenas coisas que me salvam a vida só que nós próprios não nos apercebemos disso. Nós próprios temos pequenos rituais depois de tantas escapadelas à ultima da hora.
guarda-sol de praia dobrável
Confesso que demorei muito tempo até valorizar os modelos compactos. A minha cabeça ainda pensava naqueles monstros gigantescos que são uma chatice para transportar. Depois de uma viagem cansativa, percebi finalmente a vantagem de algo mais simples. Foram quase dois quilómetros até àquela praia deserta e o meu ombro já quase se tinha passado no meio do caminho. Depois disto, a minha escolha começou a mudar.
Adoro sair sem ter todo aquele esforço desnecessário. Preciso é de ter a minha energia toda para o mar, para o mergulho e para as conversas longas à beira da água. Nós não queremos perder o nosso tempo a montar e a desmontar coisas complicadas quando o sol já está para aí a espreitar. E o ritmo que eu tenho é justamente esse. Quando chego, arranjo tudo em cinco minutos e já estou a aproveitar o sítio.
O nosso grupo costuma ir em carros pequenos. Isso muda muito a maneira como o pessoal organiza a bagagem. Já tive de estar com uma mochila no colo durante horas porque levámos coisas muito grandes. A minha vertente prática nasceu nessas situações meio desorganizadas. Hoje em dia pensamos sempre no espaço aceito antes de fazermos qualquer compra.
Também aprecio imenso a facilidade com que posso limpar. Antigamente, a areia estava espalhada por todo o carro quando usava aquelas estruturas antigas. Não sei se vocês também passavam por isso mas depois, no carro, era um nojo durante dias a limpar seja o que for. Agora, o meu cuidado é muito mais simples. Sacudo a areia, fecho para não meter nada no carro e já está. Ganhei toda a aquela leveza sem ter de me chatear.
Reparaei também noutro pormenor engraçado. Cá, as pessoas, que andam por praias de cidade, costumam valorizar o aspecto da rapidez. Já nós, que gostamos de ir para praias mais isoladas, também temos em conta aquilo que a caminhada. O meu joelho até doi bastante quando levo muito peso. E eu aprendi isso da pior maneira possível, naquela caminhada gigante que fizemos no verão passado até àquela praia deserta. Eu acho que a nossa experiência colectiva foi moldando cada uma das nossas escolhas ao longo dos tempos.
Adoro mesmo quando alguém da nossa roda diz que saiu finalmente em busca do equilíbrio entre conforto e praticidade. E a minha satisfação é ainda maior porque é nesta altura que me lembro daquele tempo em que as pessoas chegavam todas cansadas à mesma antes de ir tomar o banho de mar. E mudamos imenso nos últimos anos. Eu hoje olho para os pormenores como simples coisas que ajudam na mesma.
O vento forte é sempre o teste final. Vejo imensa gente a lutar para segurar o guarda-sol e nós, pois, estamos ali sossegadinhos. A minha confiança cresce quando estou ali e tudo permanece firme, mesmo estando mesmo à beira água. E é uma daquelas coisas que eu valorizo muito, não é? Se eu tiver aquela sensação de que estou seguro e tudo bem, tudo sossegado, a minha paz enquanto descanso é muita grande.
Também penso na questão do estilo. A minha praia ideal é aquela que transmite leveza e simplicidade. E eu não gosto de cores demasiado fortes, nem de padrões demasiado vibrantes. O nosso grupo prefere cores claras e sóbrias, não só porque elas têm melhor cara com a praia mas também porque uma cor clarinha traz aquela sensação de calmia e é o que é, não é? Eu dou por mim mais calminho ainda quando estou num sítio em que tudo parece certinho e harmonioso.
guarda-sol de praia que cabe numa mala
lembro-me perfeitamente da primeira vez que viajei só com pouca bagagem. Parecia que ia ser obrigado a levar pouca coisa e não foi fácil. Um dia só com eles mais velhos e queria passar uns dias só ali à beira mar sem carregadas pesos. Eu achei que tinha de abrir mão do meu conforto. Depois desse dia, mudei totalmente de ideia.
Hoje, adoro cada centímetro livre dentro da mala. E acho que esta é a nossa vida agora, de andar de um lado para o outro, de uma cocheira para a outra e de uma capela para a outra. Não quero pagar despachantes, não quero perder tempo a fazer filas para o check-in, eu gosto é de práticos, de coisas práticas. E nós aprendemos isso mesmo depois de termos viajado em cima da hora em feriados do que lhes chamamos de partidas curtas.
Também adoro a liberdade de puder apanhar um autocarro, um comboio, o que for, sem sofrer. A minha coluna agradece muito quando não tenho pesos exagerados. E nós próprios já nos apercebemos que mais facilmente ficamos cansados do que aquilo que nós pensamos. Eu consigo andar melhor, eu consigo respirar melhor e eu consigo divertir-me muito mais.
A minha relação com a praia tem sido mais spontana depois destas mudanças. Já aceito convites à ultima da hora, sem stress. Já o nosso grupo organiza praticamente todos os meses umas saídas rápidas. E nós pomos pouca coisa na mala e seguimos viagem sem stresses. A minha disposição fica mil vezes melhor quando tudo acontece e vive naquela simplicidade.
Gosto bastante daquele feeling que há quando não há ninguém a carregar coisas enormes. A minha atenção fica completamente direcionada para o mar, para a conversa, para a comida fria. Nós criamos memórias muito mais leves, eu até sinto que até só o facto de descansarmos parece que é mais profundo.
Outro ponto importante é em relação ao armazenamento em casa. A minha varanda na antiga a pe não é muito grande. Eu tinha de ter caixas que eram verdadeiros baús de tão grandes que eram. Hoje em dia com isso estou melhor organizada. Eu próprio guardo as coisas sem que elas fiquem num canto do apartamento como se fosse um armazém. A minha vida ficou melhor depois de ter mudado isto.
Também penso na questão da durabilidade. E a minha experiência é que praticidade não tem de ser sinónimo de fragilidade. Nós achamos opções robustas que resistem em condições de terapias, de vento, de insolações e de transportes sucessivos. E eu gosto de testar tudo isto de várias formas e em várias situações de viagem, antes de sugerir alguma coisa ao meu grupo de amigos mais chegados.
O meu amor pelo mar aumentou imenso nos últimos anos. Eu descobri que o conforto verdadeiro vem das coisas simples e inteligentes. Nós não precisamos de exagerar, para vivermos dias fantásticos à beira mar. O meu prazer está mesmo na leveza, na praticidade, na sensação de liberdade pura.